Apesar de um certo deprê no dia e minha costumeira vontade de não sair, e com a mui insistência da minha amiga, adepta da riso-terapia e a vida vale a alegria escola de filosofia, fui a um show do Almir Sater no teatro.
Como valeu... lindo show!
Tipo de show mais sossegado do que vi anteriormente, lá no "Cafofo do Osama", e mesmo o primeiro que vi numa cervejaria chique.
Mais "intimista": ele e Rodrigo sentados. Tocaram músicas mais tranqüilas e variadas, inclusive aceitando pedidos da platéia, desta vez de verdade e não a encenaçãozinha que ele faz nos shows "populares", como ele mesmo titubeou, mas chamou assim.
O som, a "mistura" deste, excelentíssimo — superbem mesclado, integrado e balanceado. Neste último ponto acho que o show do Renato Teixeira pecou um pouco... como vi também num show dele que passou na tv, o som não parece muito bem balanceado: o violão do Natan Marques parece distoar um pouco — alto demais — aos meus ouvidos nada musicoprofissionais. E não tem esta integração e mescla toda como no show do Almir, como também teve no show do Pereira da Viola. Porém, o show do Renato (como do Pereira) teve mais alegria descontraída da platéia - será que é a "aura" Grobolística do Almir que dá este acanhamento?
E, até que enfim, tocou uma música nova de verdade, do tal de "cd novo", que parece que vamos finalmente ter... um dia. A música é parceria dele e do Paulo Simões, chama "Sete Sinais", foi escrito em 2000, mas fala tão do momento, da situação do meio-oriente — "paz em Jerúsalem" etc. Belíssimo, mesmo com a lembrança dos acordes do Simon&Garfunkel em certos pedaços, que por sinal, sempre gostei. "... are written on every wall... oooo... oooo..."
(Como o belo Espelho d'Água do Renato Teixeira e Almir Sater, gravado por Rodrigo Sater, que remete direto à Lonely People dos Beatles)
A-g-o-r-a, o mulherio continua me matando de vergonha, como membra desta classe:
"senhouras" gritando "Lindo!!!", não das músicas, mas da pessoa dele, me fez descer (e squirm) na poltrona de vergonha, como também minhas vizinhas. Nisto, Almir falou algo que a platéia consistia só de mulheres (que não era verdade - em termos fisiológicos estava ±50-50%) no que um cara grita lá do balcão: "Lindo!" Risadaria geral, e aí Almir falou algo como não vamos exagerar! e o simpático dele aparece, em contrapartida do certo mascaramento antipático (mas que é compreensível que tenha, com as mulheres+++ do Brasil inteiro comportantando-se como as histéricas fãzinhas dos Menudos, ou para trazer para os dias atuais, sei lá, Ricky Martin, ou qualquer coisa do gênero histérico-feminino-juvenil).
O show me fez muito bem sim. Esta minha ligação com música "lava minha alma"; dormi igual uma pedra feliz, aquele sono inteiro, relaxado. Os problemas, que continuam iguais, não têm o mesmo tamanho de antes.
Verificando a ortografia de mulherio no Ôreilhio:
S.m. 1. Grande porção de mulheres: "O mulherio alegre, em ... provocadora ostentação de carnes, saracoteava, abaixo e acima, às gargalhadas estridentes, roçando pelos rapazes com afetada lascívia." (Coelho Neto, Turbilhão, p. 245).
— Tirando o medo, horror e preconceito masculino de mulheres alegres, vem bem ao caso!!!
terça-feira, 29 de abril de 2003
Show ... e Mulherio
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